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ptBR9:35Essentials

Orçamento de obra pública: SINAPI, composição e BDI

Public works budget: SINAPI, composition and BDI

How do I build a public-works reference budget from SINAPI compositions and check the BDI against the TCU ranges?

Como montar um orçamento de referência para uma obra pública? Neste estudo prático, orçamos a ampliação de uma escola municipal de 160 m²: consultamos o SINAPI, entendemos insumos e coeficientes, montamos composições, apuramos o custo direto e calculamos o BDI com base nas referências do TCU. Ao final, fazemos três verificações importantes antes de fechar a planilha.

You will produce

A reference budget for a 160 m2 school extension built from SINAPI compositions, with a BDI calculated from the TCU reference ranges and a sale price after three final checks.

Transcript

0:00 Quanto custa a obra?

Duas salas de aula numa escola municipal, 160 m². Quanto a prefeitura pode pagar por essa obra? E de onde sai esse número?

0:12 Para quem é

Em obra pública, esse número não pode ser chutado. Ele sai de uma tabela oficial de preços, o SINAP, e de uma taxa que vai por cima do custo, o BDI. Se você está começando como orçamentista, tem uma pequena construtora de olho em licitação ou estuda engenharia, este vídeo é para você. No fim, você vai saber montar esse orçamento linha por linha e conferir se o preço final faz sentido.

0:43 O projeto

O exemplo é uma ampliação de escola. Duas salas de aula e sanitários terrea de 16 por 10 m com estacas, estrutura de concreto armado, paredes de bloco cerâmico e telha cerâmica. O projeto é de estudo, mas os preços vem de uma base real.

1:04 O que é o SINAPI

Primeiro, de onde vem os preços? Sap é o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. O IBG é pesquisa e a Caixa publica todo mês para cada estado e o Distrito Federal o preço dos insumos e o custo de cada serviço, sempre em duas versões: desonerada e não desonerada. Já já eu explico a diferença.

1:33 O que a lei exige

Quando a obra tem dinheiro federal, a lei 14.133 133 manda começar o orçamento pelo SINAP e o decreto 7983 diz que o custo de cada serviço do projeto deve ficar no máximo na mediana do SINAP. Mediana é o valor do meio. Metade dos preços fica acima, metade fica abaixo. Com dinheiro próprio, o município pode usar outro sistema, mas o SINAP é a principal referência do país.

2:03 A planilha no aplicativo

Agora, no aplicativo, >> no menu lateral, abra projetos e entre no projeto da ampliação. Lá dentro está a planilha orçamentária, o orçamento da obra. Cada linha dessa planilha é um serviço.

2:20 Composição: a receita

Cada serviço tem uma composição. Pense numa receita de bolo. Ela diz quanto de cada ingrediente vai em uma unidade do serviço. Na obra, o ingrediente se chama insumo, que pode ser material, mão de obra ou equipamento. E o número que diz quanto vai de cada insumo é o coeficiente. Veja a ovenaria de bloco cerâmico, código 103.330. Para 1 m² de parede, ela usa pouco mais de 28 blocos, quase 10 L de argamassa, 1 hora e 12 minutos de pedreiro e 36 minutos de servente. Coeficiente vezes o preço do insumo dá o custo de cada parte. Somando tudo, R$ 69,85 por met².

3:15 Custo unitário e encargos

Esse é o custo unitário. Quanto custa uma unidade do serviço? Aqui, 53% é mão de obra, 41 é material e o resto é argamassa, que tem composição própria. A Hora do pedreiro no SINAP já inclui os encargos sociais como INS, esse, FGTs férias e 13º. Em São Paulo, eles somam 99% do salário na tabela desonerada e 115 na não desonerada. A diferença é que a empresa desonerada paga uma contribuição sobre o faturamento e essa entra no BDI.

3:54 Da composição à linha

Na planilha, essa composição vira uma linha. A quantidade sai do projeto, 420 m² de parede. O custo unitário aparece como 69,88 porque a linha soma as partes já arredondadas. Quantidade vezes custo unitário 29.300. R$ 349,60. Repita isso para cada serviço, da administração local até a limpeza final. Aqui são 29 linhas em 12 etapas. A primeira delas, a administração local. A etapa que mais pesa é a estrutura, com R$ 78.781, R$ 781, quase 30% do custo direto.

4:46 Custo direto

Somando as etapas, o custo direto da obra fica em R$ 275.440. Custo direto é tudo que se gasta no canteiro para executar a obra. Para chegar ao preço, ainda falta uma parte.

5:05 O que é BDI

Falta o BDI, que quer dizer benefícios e despesas indiretas. É um percentual que vai por cima do custo direto. Ele cobre o que não aparece no canteiro. A administração central, que é o escritório da empresa, segura e garantia, riscos, o custo do dinheiro até a prefeitura pagar, os impostos da nota fiscal e o lucro.

5:29 Faixas de referência do TCU

O Tribunal de Contas da União, o TCU, publicou faixas de referência para o BDI. Em construção de edifícios, a faixa vai de 20,34 a 25%, com mediana de 22,12. Fora da faixa, cada parcela tem que ser examinada. E a administração local, o engenheiro e o mestre de obras não entra no BDI, fica na planilha, no custo direto. Por isso, ela é a nossa primeira etapa.

6:04 A fórmula do BDI

O BDI não é a soma das porcentagens. Os impostos incidem sobre o preço de venda. Por isso, a fórmula do TCU divide tudo por um menos a taxa dos impostos. Neste exemplo, administração central 5,5%, seguro, garantia e risco, 2, despesa financeira 1, lucro 7,5 e PIS CofinS SS 6,65. Com essas taxas, o BDI dá 25,03%.

6:40 O BDI no aplicativo

No aplicativo, o modelo brasileiro de BDI já traz essas parcelas, uma por linha, com as mesmas taxas. Mas repare na conta, as primeiras parcelas incidem sobre o custo direto. Depois, lucro e impostos entram em cascata, um em cima do outro, dividindo o total pelo custo direto, o BDI, que de fato entra no preço, é de 24,52%. Meio ponto percentual parece pouco. Nesta obra são R$400 a menos no preço. E como o imposto é cobrado sobre tudo que a empresa fatura, essa diferença sai do lucro. Para o orçamento bater com a fórmula do TCU, troca essas linhas por uma linha só de BDI, com o percentual que saiu da fórmula. O preço da obra vai para 344.000. R$ 382.

7:42 Preço de venda

Custo direto mais BDI. Esse é o preço de venda. É o orçamento de referência da prefeitura para essa obra. Dividindo por 160 m², dá R$ 2.152 por met². Um aviso importante, os preços e as quantidades das bases de custo são aproximados e servem só como referência. Confira com cuidado cada preço e cada quantidade antes de usar. Não nos responsabilizamos por erros.

8:15 Três conferências

Antes de entregar, faça três conferências. Primeiro, a tabela, mês de referência, estado e se é desonerado ou não. Se for desonerada, a contribuição sobre o faturamento entra nos impostos do BDI. Segundo, o BDI dentro da faixa do TCU ou com cada parcela justificada. O nosso deu 25,03, um pouco acima da faixa, então justifique por escrito. Terceiro, o preço por metro quad. Compare com o Cube o custo básico que o Sindusco de São Paulo calcula todo mês. Em setembro de 2026, um prédio residencial de padrão normal estava em R$ 2.238 por m². Não é uma escola, mas serve de ordem de grandeza. O nosso deu 2152.

9:11 Próximo episódio

No próximo vídeo, esse orçamento vira proposta de licitação e a gente vê porque um preço abaixo de 75% do orçamento é considerado inexequível. Pela lei, não daria para fazer a obra por esse valor. Para instalar o aplicativo gratuito e de código aberto, veja o vídeo de instalação na tela final.

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